Olá a todos,
Na passada 4ª feira, lá fui à Conferência "A Mobilidade Sustentável em Lisboa" no ambito do SUMOBIS - (
lisboaenova.org/index.php?option=com_con...=1258&Itemid=481 ). Sala cheia, e muitas participações interessantes.
Não havia muita gente de bicicleta, mas foi um tópico bastante abordado durante todo o dia. Como me "cheguei à frente" como utilizador de bicicleta, apelei à assinatura da petição que está a decorrer e fui de bicicleta (dobrável, que ficou dentro do auditório), senti que a maior parte das pessoas ficou a olhar para mim como um "activista da bicicletas".
O programa pode ser visto no site da Lisboa E-Nova, mas destaco algumas das participações que achei mais interessantes:
- A apresentação da recém criada Autoridade Metropolitana dos Transportes de Lisboa. Embora a apresentação tenha sido apenas de objectivos, mais do que de estratégias, fiquei curioso e apreensivo (e devo confessar com alguma esperança) para o que esta nova entidade pode fazer para alterar o paradigma actual dos transportes na AML.
- A apresentação do plano ciclável de Lisboa e das bicicletas partilhadas. Aqui foi mais do que já sabemos (ciclovias para o lazer, postura confirmada pelo próprio Arq. João Castro, que afirmou que o que interessava nesta fase era ter mais gente a andar de bicicleta em Lisboa, e para isso o melhor seria começar pelo lazer) - questionei-o sobre o o assunto, e tendo em conta que o BTT foi dos desportos que na última década mais cresceu em Portugal (ou seja ciclismo de lazer, não necessitando assim tanto de promoção), como é que a CML estava a pensar em fazer passar a mensagem aos munícipes, que o que se prentende é que a bicicleta seja utilizada como um meio de transporte alternativo - por entre as justificações habituais (é complicado, há muitos constrangimentos, a "eterna segurança das pessoas" - ou falsa sensação de segurança, como tanto tem sido discutido por aqui - mas acabei por não ter uma resposta à questão, a não ser as bicicletas partilhadas.
Aqui foi a parte que eu gostei mais - gostei de ver o mapa da cidade de Lisboa, com os 250 pontos de entrega/recolha bastante espalhados pela cidade toda. O Vereador Sá Fernandes, que fez a introdução à conferência, anunciou que tinha de se retirar pois iria para uma reunião (assembleia?) onde exactamente o projecto das bicicletas partilhadas iria ser (provavelmente) aprovado - desde então ainda não ouvi nada em lado algum sobre este assunto. Alguém sabe alguma coisa?
- A apresentação do Eng. Tiago Farias, especialista em mobilidade (e Vice-presidente da EMEL) - onde o tema fulcral foi o problema de comunicação que existe nesta área, ou seja: estávamos todos ali naquela conferência, a falar de coisas importantes para gente que se interessa, e que concorda, mas falta fazer chegar estas ideias ao público em geral. Foi particularmente interessante o ponto que ele referiu que muitas vezes se gastam milhões em infraestruturas e equipamentos para tentar melhorar a eficiência, e muitas vezes uma pequena parte desse investimento, se fosse canalizada para comunicação, educação e sensibilização, teria resultados francamente superiores.
Na sequência desta apresentação, e dado que entretanto o painel estava composto pelo por representantes das administrações da Carris, Transtejo e Metropolitano de Lisboa, aproveitei para sugerir que as empresas de transportes se podiam unir e lançar uma campanha de Markting à escala nacional para "vender" o transporte público... infelizmente não vi muita recepção da parte dos intervenientes. Assim, depois de chegar a casa e muito matutar, tive uma ideia, mas isso fica para outro tópico.
Para terminar, fica a nota negativa para um participante que estava na plateia, que aproveitou a altura da discussão, para fazer a promoção do seu negócio de bicicletas electricas em Sintra... caiu mal, e foi visivel na cara (e no burburinho) entre todas as pessoas que estavam na sala. Se o Mário Alves (moderador) não o tivesse interrompido, creio que a sua "acção de markting" ainda teria sido mais extensa!
Miguel Barroso