Boas.
Este tópico está para ser escrito desde que
eu mais o Bruno e a Ana fomos a Aveiro à "conferência lazer e o turismo ciclável"
Isto vai ter que ser aos poucos, mas a verdade é que a viagem de comboio Lx-Aveiro foi cheia de aventuras com horários, informações, preços, etc. tudo baralhado pelos responsáveis. A ver se enumero os problemas com que nos deparámos e que demonstra a fragilidade deste sistema que é aquele que melhor poderá contribuir para a disseminação do cicloturismo. (não sou eu apenas quem o diz, Les Lunsdan do Eurovelo disse-o na dita conferência.
Comecemos:
Em Sta Apolónia, a Ana e o Bruno tentaram comprar o bilhete mais cedo pois eu ía chegar à estação mesmo "à pele". Foi-lhes dito que com bicicleta o bilhete tinha que ser comprado na carruagem.
Aproveitaram para confirmar se era possível levar as biclas nos inter-regionais para além dos regionais como diz no site (
www.cp.pt). Foi-lhes dito que não...apenas nos regionais!!!
1.) Ou está mal publicitado ou a funcionária da CP desconhece as condições gerais de transporte da CP (de ora avante CGT CP) que dizem:
"
É permitido o transporte de uma bicicleta por passageiro nos comboios Inter-regionais,
Regionais e Urbanos de Coimbra, sujeito às limitações do espaço disponível e da
tipologia do material circulante, salvo em épocas, datas ou horários, previamente
publicitados, nomeadamente nas estações onde exista atendimento comercial da CP
Regional."
Entretanto cheguei e fui directo à carruagem. Entrámos com as bicicletas e colocámo-las no espaço dedicado (nas carruagens dos extremos do comboio).
Com o comboio em andamento (que estava cheio pois aquela hora funcionava quase como comboio suburbano) apareceu o revisor da CP que nos vendeu o bilhete.
Aqui começou um calvário. O revisor começou a dizer que convinha evitarmos estes horários pois estava tudo muito cheio e que se ele assim o decidisse podia recusar o transporte das biclas.
2.) Descobrimos que o critério de recusa de transporte por parte do revisor é pouco objectivo. Depende da "leitura" deste. Isto não me parece muito normal, mas é o que está escrito nos autocolantes na carruagem, mas na CGT CP diz:
"
Ao Operador de Revisão competirá garantir, ou não, o transporte do respectivo
velocípede uma vez que o mesmo está limitado ao espaço disponível."
Mas se eu chego mais cedo e ocupo um lugar. Na altura o comboio não está cheio, mas depois começa a encher...tenho de sair para dar o lugar a outras pessoas? ou visto estar já lá dentro não tenho de sair?
3.) Se é o primeiro caso, a CP não me garante o transporte mesmo que no princípio da viagem haja lugar! e como funciona nesse caso? fico na paragem em que me decidiram expulsar? pago essa viagem?
É por esta razão que se compra o bilhete na carruagem e não directamente na bilheteira! No caso da nossa viagem que implica 2 transbordos, um no Entroncamento o outro em Coimbra, temos que comprar 3 bilhetes.
É aqui que o fiscal nos vende apenas um bilhete para a viagem toda. Diz-nos que é "nosso amigo" pois assim fica mais barato. Ficámos baralhados, pagámos e fomos a maturar nisto o resto do caminho.
4.) Se fossemos a pé de Lx a Aveiro no Regional podíamos comprar este bilhete, mas indo de bicicleta somos obrigados a comprar 3 (a não ser que encontrem este "amigo"). O preço dos 3 bilhetes em separado é mais caro do que um bilhete único. Se isto se verificasse a gratuitidade do transporte da bicicleta na CP seria publicidade enganosa. Parece que este fiscal desconhece esta questão pois vendeu-nos um bilhete que não pode vender segundo a CP (só nos podem vender o bilhete após a confirmação de lugar), mas fê-lo pois pensava que assim nos estava a dar uma "borla".
Seguímos caminho, fizémos o primeiro transbordo no Entroncamento e no segundo comboio, o segundo revisor ou fiscal disse-nos isso mesmo. Que se ele nos recusasse o transporte por não haver espaço, o bilhete comprado deixa de ter validade. Grande "amigo"!
Reparámos que o número de carruagens era escasso para o percurso suburbano e excessiva para o restante percurso. Será que fazem estudos de tráfego?
Chegámos tarde mas bem. Os horários do regional, para além dos tempos de viagem não servem para deslocações de bicla que não sejam de cicloturismo como seria o nosso - ir ao uma conferência. ENFIM. Mas é a resposta ao pedido do primeiro revisor (queria que fossemos ao meio-dia? a malta trabalha).
Na vinda comprámos o bilhete de Aveiro até Coimbra, tudo muito bem. Pedímos factura. O revisor fez cara de caso: Tinhamos que pedir a factura ANTES dele emitir o bilhete.
5.) Meus amigos...zzzz...então e a publicidade que diz "facturar faz o país avançar" e tal, e que é obrigatório dar factura.....Ele é que devia perguntar antes de emitir bilhete. uff isto nem devia estar aqui neste fórum!
Na segunda viagem de comboio apanhámos um revisor mais esclarecido que diz existir uma circular interna a explicar que quem vem de bicicleta paga o primeiro bilhete na totalidade e nos restantes transbordos o excesso de viagem. Para que no total o utente com bicicleta não pagar mais pela viagem já que é obrigado a comprar bilhete a bilhete. Com isto a CP responde-me ao ponto 4 a CP, mas na verdade existem revisores que desconhecem ou esqueceram esta regra.
Introduziu na sua máquina o código de percurso e carruagem (que dá um código único de viagem) e a máquina calculou o excesso de percurso que nós pagámos. Tudo bem. E voltámos a pedir factura. UI, o que fomos fazer.
6.) Pedir factura na CP é complicado. Ele dizia que só podia dar a factura do que pagámos (óbvio, o excesso de percurso) mas ele tinha que ficar com o bilhete anterior para justificar ao seu superior directo a venda do excesso. Ou seja não tínhamos os comprovativos para pedir uma factura no fim de percurso!!
7.) Mas, se introduziu os dados todos na maquineta é porque ficou registado no sistema. Podemos concluir daqui que o dito superior não sabe ler as vendas no dito sistema?? Ele diz que tem muitos destes problemas com pessoal que precisa do bilhete para justificar deslocações e tal....pelos vistos é recorrente.
Última viagem e esperáva-nos o cromo mais difícil. O último revisor dizia que os preços que tinhamos pago eram impossíveis e lá simulava umas viagens na maquineta e dava sempre valores diferentes. Ele simulava viagens de alfa ou inter-cidades, não nos deixava ver a máquina, duvidava dos valores que dizíamos, ria quando dizíamos que tinhamos apenas que pagar o excesso de percurso que era bem mais baixo do que o bilhete normal. Dizia que daqui a pouco ele tinha que nos pagar para viajarmos...enfim...e disse algo que me ficou na cabeça:
8.)"Vocês complicam tanto, que qualquer dia não podem andar em lado nenhum". Concerteza que esta não é a visão da CP nem de outro operador, mas deve ser o que muita gente pensa. Nós ao reclamarmos os nossos direitos complicamos a vida a MUUUITA gente.
Depois de muita explicação, mostramos os bilhetes anteriores e tal, lá nos passou o excesso, mas quando lhe falámos em factura caíu tudo...já não me recordo, mas creio que desistímos dela para o homem não morrer de ataque cardíaco. Senhores gestores, planeadores da CP, já experimentaram andarem de bicicleta nos vossos comboios de forma anónima? descobriam muitos buracos no sistema.
Abraço